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Todo domingo o Vinícius sobe no altar da igreja onde canta desde os doze o louvor da missa.
Durante a semana ensina as crianças do corinho, nota por nota, até cada uma pegar o tom. Elas cantam o louvor inteiro com ele no domingo.
Faz uns meses apareceu um caroço no lado direito do pescoço dele. No começo dava pra disfarçar com a gola da camisa, e ele achou que ia sumir sozinho. Triplicou de tamanho.
Nos exames veio a resposta: é um tumor, já num estágio avançado. O doutor foi direto: só sai operando, e cada semana que passa complica mais o caso. E o risco não é só a voz.
Hoje o Vinícius ainda canta. Ainda canta louvor, ainda afina as crianças, ainda solta o tom inteiro sem falhar. É esse presente que ele tá tentando segurar enquanto a operação não sai.
A mãe dele, dona Neide, faz faxina. Pegou casa a mais desde o diagnóstico e não deixa o filho ir sozinho em consulta nenhuma.
Mesmo assim, o valor da operação tá muito acima do que a família consegue juntar.
Ele passou dez anos cantando pros outros no altar. Agora quem canta é ele que precisa que alguém escute.
A operação ainda tem tempo. O que falta pra chegar lá.
E tudo pode começar a mudar, começando logo aqui em baixo: